Tuesday, April 12, 2011

pensava que de volta.

quando cheguei na festa percebi como logo fiquei de lado, encostado na parede, um copo na mão, ouvindo a música, vendo as pessoas passarem e conversando com os amigos mais próximos sem qualquer pretensão. passavam por mim os mesmos rostos daquela época, e eu teria que parar para contar antes de saber há quanto tempo eu não via um ou outro, há quanto tempo eu não sequer aparecia naquele lugar. tinha mudado de cidade, de emprego, de profissão, comprado novas roupas, desenvolvido outras teorias, ouvido outros sons. por algum acaso eu estava de volta àquele bairro, com aquela gente que por uma temporada fora tão distante. cumprimentei o guilherme e ele começou a lembrar de histórias como as que sempre tinha contado. vi também o joão, o matias, o franco. sorriam ao falar comigo, falavam uma ou outra besteira e eu só conseguia pensar que eram exatamente os mesmos, como que congelados no tempo.

fui embora sentindo o estranhamento de voltar e ver que estava tudo como tinha deixado e não conseguia não pensar em como era possível tudo estar tão parado em seu lugar. fui embora e não consegui não pensar em como eu havia mudado tanto, e, ao mesmo tempo, não mudado. era como na última semana. depois de meses, quase um ano, talvez, tinha encontrado a gabriela. e, enquanto ia para o cinema, no qual tínhamos combinado de estar às oito horas em ponto, eu sabia que ela ia atrasar, como sempre, mas não sabia o que eu mesmo ia sentir. eu precisava daquela jogada arriscada, precisava ver se faria bem ou mal, se as coisas continuavam em seu caminho ou se tudo havia de fato explodido.

então ela havia aparecido exatos vinte e três minutos depois, arrumando o cabelo e dando um sorriso um tanto sem graça ao me ver. beijos no rosto e começamos um papo trivial e em pouco tempo eu sentia que ainda estava ali, o magnetismo, algo de diferente, a presença que me atraía e que tinha me prendido desde sempre. acabamos não vendo o filme e, entre as diversas conversas em um bar ao lado do cinema, o tempo avançou. na despedida, antes de qualquer coisa, olhei bem naqueles olhos, aqueles lindos olhos cinzentos que eu quase podia dizer que eram capazes de matar ou criar vida. ela desviou o olhar e então a cumprimentei e fui embora.

eu agora achava engraçado como os caras da cidade ainda falavam das festas na rua ou do futebol no salão da escola, como o marcel ainda trabalhava na vendinha e o franco continuava falando que no ano que vem voltaria pra faculdade. mas não conseguia achar engraçado como eu continuava desviando os olhos das pessoas e das coisas pra fixá-los no rosto da gabriela, como eu me concentrava observando o movimento de suas mãos, sentia quase um prazer vendo seus dentes brancos em sorrisos ocasionais e despretensiosos.

fui embora da festa achando que, apesar de tudo que havia passado e de tudo que ainda acontecia e das pessoas de quem gostava estarem ali, aquele não era mais meu lugar.

fui embora do cinema achando que, apesar de tudo que havia passado e de tudo que ainda acontecia, a gabriela sentia que estar comigo não era mais seu lugar.

Monday, February 22, 2010

"e aí, tudo bem?"
"tudo e aí?"
"não. aqui não. nem um pouco".
"..."
"..."

foram-se os diálogos geniais. foi-se tudo.

Friday, January 15, 2010

verão, 2010

O VERÃO MAIS INVERNAL DE QUE SE TEM NOTÍCIA, manchetava o principal diário de minha cidade. os céus se confundiam nos dias entre cinza e azul. os metereologistas errando todas as previsões. às vezes era tanto frio dentro da gente que parecia que ia nevar, embora toda a ciência conhecida até então negasse qualquer possibilidade. Os termômetros marcam temperaturas diferentes a cada hora, entre os 5º e os 40º Celsius no ambiente externo. Nos corações, frio e calor também se alternam, embora o primeiro tenha levado vantagem ao longo dos últimos cinco meses.

PSICÓLOGOS ALERTAM PARA ONDA DEPRESSIVA - Os trilhos do metrô e as grandes pontes, maravilhosas obras da arquitetura brasileira, chegaram quase a registrar congestionamentos durante a última sexta-feira. Ao fim da noite, solitários se arrastaram pelas calçadas em direção a algum fim digno. Houve alguma confusão, tumulto causado entre os que desistiam no derradeiro momento e os revoltados que aguardavam por sua vez. Estes últimos se exaltaram ao ver que, devido a desistentes, precisaram encarar mais alguns minutos de angústia.

Os suicidas exaltam a ponte Octávio Frias de Oliveira e seu design moderno e acalentador para o último grito. os urbanistas destacam a recente inauguração da estação sacomã do metrô, com portas de vidro para evitar usuários na linha. "Vamos também cercar as pontes e criar um programa para garantir menos amores perdidos e desilusões de todo outro tipo", garantiu o governador em entrevista a uma emissora de tevê.

RELIGIOSOS ALERTAM PARA O FIM DOS TEMPOS - Os fiéis da Igreja dos Últimos dias têm saído assustados dos últimos cultos, onde o Reverendo Jonas constantemente faz referências ao apocalipse. Segundo ele, as alterações no clima, os suicídios, a depressão e o sucesso da música emo são sinais claros de que o Homem se afogou em si mesmo. "É um Dilúvio sem Dilúvo", prega.

O sem teto Matias Almeida, que há sete anos prevê o colapso mundial, acredita que agora a profecia será concretizada. "Desta vez não passa. Vamos todos morrer na angústia dos tempos modernos". Matias realiza seus cultos todos os dias na Praça da Sé com uma bíblia surrada e um terno que encontrou no lixo. "Bem aventurados os que não acreditam, porque morrerão sem desilusão", gritou na última sexta, assustando até mesmo seus fiéis. Boatos dão conta de que teria enlouquecido pela terceira vez.

VENDAS DE CERVEJA BATEM RECORDE; FERNET É NOVA MODA DO VERÃO 2010 - A gigante do ramo cervejeiro InBev anunciou a maior produção de sua história. Mesmo nas noites frias do atual verão, as pessoas têm procurado os bares e mergulhado em copos. As sarjetas parecem cada vez mais cheias. "Estamos preparando uma ação policial contra os bêbados", adianta o prefeito da cidade.

Outra sensação nos balcões de fórmica é o fernet, drinque mais conhecido pelas terras argentinas. "Amargo e com sabor de tango", explica o degustador Marcelo Chambers. "A vida atribulada e a falta de perspectivas e o vazio e a angústia explicam a alta nas vendas do fernet", analisa o psicólogo e alcóolatra Paulo Passos.

FONTES PREVÊEM FIM DOS HORIZONTES PERDIDOS - Interlocutores ligados aos idealizadores do Horizontes Perdidos têm comentado nos bastidores sobre a possibilidade de encerramento do que era conhecido como espaço de besteirol chulo e tentativas de poesia suburbana. Os donos do espaço não comentam a afirmativa. Um deles, porém, teria sido visto em um boteco do centro a falar mal sobre as próprias ideias. "Nada tem levado a nada e os horizontes já estão tão perdidos que também me perdi deles", explicou a um confidente após dez garrafas de Brahma. O sujeito reclamou também do preço da sua cerveja preferida. "Ultimamente tudo que eu gosto e quero tem me parecido caro demais. Não me refiro somente à Brahma e nem somente ao dinheiro".

Thursday, March 05, 2009

verão, 2009

sol, calor, mas alguma sombra persiste. 
não há de ser nada demais, 
dizem,
talvez um presságio do outono
inverno distante
vento
algum presságio ou medo que seja. 
não há de ser nada demais,
dizem,
o céu está azul
e a vida segue como em todos os dias. 

Tuesday, March 03, 2009

antigas escrituras







Sentado frente à fogueira, contou ao jovem histórias ancestrais. Lendas mais antigas que o próprio tempo. O fogo estalava e fazia subir aos céus uma fumaça leve enquanto esquentava a noite. Nos olhos do xamã, rugas mostravam que o conhecimento vinha com o tempo e alguma dose de pesar. Pois havia ali alguma espécie de sombra, daquelas que permaneceriam obscuras mesmo sob o sol do meio-dia. Vestido com roupas sóbrias, cabelos longos desarrumados por sobre a cabeça, o rosto era sisudo embaixo do grande chapéu cheio de adereços. Era sempre assim, cara fechada, olhos de sombra, a boca se movendo lentamente e quase sussurrando as palavras em um tom que ameaçava e acolhia. 

O garoto, que tremia de frio e expectativas, agora estava mais calmo, efeito da fogueira e das palavras que relembravam o que não estava registrado em qualquer memória. A tradição mandava que os jovens, quando próximos de completarem os 21 anos da maioridade total, deveriam ser levados ao xamã. Somente assim poderiam conhecer as histórias do bem e do mal abrigadas somente na cabeça daquele sábio e em arcas guardadas em cavernas profundas de localização desconhecida. Ficou curioso pelo modo como ele poderia saber tudo sobre as coisas dos três mundos e parecia falar com precisão sobre passado, presente, futuro.

"Como pode olhar através das pessoas e dos dias como se fossem a água do mais puro rio?" perguntou, logo arrependendo-se da ousadia. 

O xamã fechou os olhos. Sereno, abriu-os novamente, deixando suas pupilas mostrarem uma escuridão maior do que a daquela noite de frio no deserto. 

"Todos recebemos a dádiva da visão. Percebi sua atenção sobre meus olhos. Teu olhar pesa, mas não vê". 

Apontou para a fogueira. As chamas crepitavam. 

"Olhe para o fogo. O calor embaça a visão. Olhe diretamente para o sol. A luz ofusca. Meus olhos trazem a sombra da noite. Às vezes, algo se esconde nela. Mas, ainda assim, vejo mais do que os que tem o olhar claro e cristalino". 

O velho desviou o olhar, fitando um horizonte perdido. "Não é algo que se aprende da noite para o dia, você sabe". 

Fechou os olhos, sentindo antecipadamente a dor. Um golpe, seco. Outro, agora quente, sangue. Não reagiu. Sessenta anos de diferença entre os dois fariam com que qualquer tentativa fosse inútil. Pôde sentir ainda a agonia e o medo antes do derradeiro sono. Dois buracos vazios no rosto sangravam como lágrimas, violados. 

Já longe dali, o joven carregava sangue e sombras em suas mãos. Olhos de pupilas castanhas agora sem vida, mas que pareciam ainda assim observar sagazmente. Levantou um deles ao céu e encarou-o. Sentiu como se a noite avançasse pelas horas, a luz das estrelas diminuindo e, mesmo a fogueira, um tanto distante, parecia sumir de vista. 

Percebeu então que havia algo a mais. Uma linha preta fazia como que uma trilha por entre a paisagem. Correu, seguindo-a, consciente de que tinha pouco tempo para descobrir o significado daquilo antes de ter que disparar em fuga, quando descobrissem o corpo do xamã. Talvez fosse mesmo aquele traço riscado no ar uma rota de escapatória. 

Andou muito, voou pelo deserto, entrou em túneis, passou por mato cerrado e lagos secos. E foi no leito de um rio já inexistente que viu o sinal desaparecer, entrando na areia. Escavou. Rasgando os dedos, ávido, cavou a terra. Que pareceu de repente ceder. Surgia então um grande buraco, oculto por tantos anos que mesmo com a visão roubada não poderia contar. 

Havia ali uma arca de madeira antiga, mas conservada como se tivesse sido esculpida na semana anterior. Não havia chave. Abriu-a para encontrar um manuscrito, alguma tinta ancestral sobre pele de cordeiro, como nos papiros antigos. Era um dialeto antigo, dos que apenas ouvia falar quando conversava com os anciões. Mas conseguiu entender. De alguma maneira. 

"Aquele que cometeu o ato vil não foi recompensado. Embora não tivesse mais a luz a ocultar sua visão, a ganância e o desejo o deixavam mais cego do que mil sóis". 

Monday, May 12, 2008

Para onde é que vamos fugir?

Um grito às dez horas da manhã, de uma segunda-feira ensolarada, acordou três vagabundos. Eles, por sua vez, não sabiam o que deveriam fazer. O mais sensato ignorou e continuou a roncar. “ZzzzZzzzzZ.”O louco berrou junto. “Sim, estamos vivos. Vocês vão perder essa guerra.” O sonhador entendeu o grito como uma mensagem, que talvez estivesse codificada. “Quem são vocês? Será que posso ajudar?”
Às dez horas e cinco minutos, da mesma segunda, a sensatez foi acordada pela loucura, que estava dominada por sonhos.

- Todos ouviram?

- Sim.

- Sim.

- Então vamos ajudar eles.

-Você é louco, ajudar a quem? Estamos em meio a uma selva de pedra, aqui ninguém ajuda ninguém. E, afinal, gritos são normais por aqui.

- Vamos ajudá-los, eles sobreviveram ao ataque.

- Meu caro amigo Roberto, se nos seguir poderá conhecer o belo, ou apenas o nada, mas saiba que é uma aposta. Se ajudarmos alguém poderemos ser libertados dos nossos pecados, ou, então, achar o paraíso real.

- Francisco e João, eu vou com vocês porque preciso protegê-los. Mas fiquem sabendo que não concordo com essa loucura.

- Yes!

E lá se foram os nobres vagabundos amigos. O rumo só Francisco sabia, mas João lhe dava forças e empolgação, enquanto Roberto permanecia calado.

“O grito veio do caminho das pedras, o lugar onde nunca tivemos coragem de explorar”, Francisco alertou aos amigos, que não hesitaram e adentraram no caminho desconhecido. Era um caminho estreito cheio de antigas edificações tomadas pelas florestas. Não se ouvi nada no caminho apenas o eco dos passos dos vagabundos.

“Deus do o que o que é isso?”, João se assustou ao ver um pequeno cipó no chão e o confundiu com uma cobra. Roberto riu, sem fazer provocações o sensato vagabundo limpou o caminho. “Venham é seguro. Eu só não sei para onde é que vamos fugir.”

Daqui até a eternidade


Entre eu e o resto,
você.
Carinhos e sorrisos.
Um período indeterminado
e só amor.
Com tantas opções,
preferimos a nós.

Comparar é besteira.
Vejo os mesmos erros meus
em você.

Quanta relevância.
Quanto egoísmo.
Quanto amor.
Quanto carinho.

Coisas que não deveriam lhe dar
são as frases sem nexo.
Um sentido falso com dor.
Endiabradas e sem mel.

Luto contra os meus demônios
Hora ganho, hora perco.
São coisas da vida.
São coisas entre nós.

Com vitórias e derrotas,
eu diria que tudo está em paz.

Daqui até a eternidade, meu amor.

Eu, eles e nós

Dois ou três passos.
Um olhar e um cumprimento.
Sorriso?
Sorte, em um dia comum.

O expediente.
Um dia quente de notícias.
Uma frase.
“Defendi a minha tese?”

Anos e meses
de olhares distantes.
Amizade por acaso.

Cotidiano de ódio.
Não é real.
É incrível.
Calma,
eles não são como nós

Wednesday, May 07, 2008

Arrumou os óculos, tirou o cabelo da testa e disse: “Muleque, vamo cola na Agustera?”

Primeiros dias de aula na faculdade de Jornalismo. Fiz algumas amizades com umas meninas doidas. Tudo muito empolgante, regado a pinga com limão.
Mas foi em frente ao bar que conheci um tremendo de um bobão, mas que, com certeza, o seu nome vai estar em livros nas estantes dos mais vendidos. Pensei: com esse jeitinho de falar devagar e escrito Fresno no seu All-Star, esse cara é viado.
De uma frase do revolucionário Che Guevara, surgiu o apelido. Ele pronunciava a frase de modo engraçado. “Terrrrrnura”, era assim que ele dizia. A mais doida das amigas que fiz, disse: “aeee vo te chama de terrr”. O apelido virou uma identidade de Ternura.
A primeira pinga. Em um dia normal de aulas, alguns amigos liderados por Ter decidiram tomar uma com limão. O resultado foi obvio. Entraram na aula com o bafo de cachaça e a cabeça longe da terra. Um deles até gorfou no banheiro. A professora, Marli, ficou chocada com a situação, mas nada fez a respeito.
Em trabalhos da faculdade fui salvo por ele muitas vezes. Sem querer querendo, abusávamos da boa vontade e ‘inteligência’ do Ter. Claro, o cara fazia os trabalhos muito rápido e com qualidade. Aprendi muito. “É eu to terminando o site, você só precisa fazer um texto simples, se quiser eu te ajudo.” Era bem ao estilo Joe Ramone, humilde e eficiente, simples e rápido.
O entrosamento com a galera do futebol (turminha do amendoim) afastou o Ter dos locões. Por pouco tempo. Ter conseguiu unir os loções com os amendoins.
Anos atrás tentamos firmar uma parceria em um projeto de blog que fracassou. A nossa idéia de criar um blog que publicasse textos de filosofias de botecos, até foi posta em prática, mas com o tempo perdemos o foco. Esse era o tão falado “Horizontes-Perdidos”. Uma brisa intensa.
Venho reparando em textos emocionantes, que o Ter escreve. Neles, é possível se sentir em histórias de filmes que passam na tua rua. É fantástico. Os personagens, fragmentos de sua personalidade, aparecem como você gostaria que eles estivessem. Recomendo à vocês que, leiam essas coisinhas e prestem bem atenção no coração de tolo, que o Ter tem. Isso não é uma história é só um comentário.
Arrumou os óculos, tirou o cabelo da testa e disse: “Muleque, vamo cola na Agustera?”

Thursday, April 17, 2008

O que adianta ter dinheiro e ser um puta pau no cú?


Por quê? Eu tinha mais uma bela critica a fazer, então me indaguei, por quê? Qual minha real intenção em criticar essas pessoas? Por que dou tanta importância para elas? São pessoas que conseguem me causar ódio e irritação, mas, na verdade, eu queria ignora-las.

Sem definições técnicas, mas com avaliações funcionais eu definiria isso como um ‘descarrego’. São sim demônios, que precisam ser expelidos. Só que, nesta situação o blog faz o papel do pastor.

A arte de ignorar pessoas como as que descrevi nos textos a baixo é difícil para mim. A ‘uruca’ e o ‘mau olhado’ que eles transmitem são pragas sob a minha pessoa. Por claros motivo sócias eu não posso encher a cara delas de porrada ou, então, soltar o verbo. Fico frustrado pela diplomacia e a obrigação social.

Nossa como sou fraco. Não, não vou encarar assim. Simples rápido. O imbecil que quer me provocar vai ter que penar para isso acontecer. O filinho do patrão que tem pura inveja, porque sabe do meu potencial, não vai mais me atingir.

O que adianta ter dinheiro e ser um puta pau no cú? O que adianta estudar para ser superior? O que adianta viver num mundinho de plástico? Vai se fuder.

Tuesday, April 15, 2008

Por que ser um cusão


São dores de cabeça constantes. Não sei porque, mas só pessoas dispostas passam por isso. A situação é a seguinte: um bom cidadão, dedicado e que busca crescer não é reconhecido, enquanto verdadeiros ‘patetas ambulantes’ chegam a cargos de confiança e muita responsabilidade.
Zé (o bom cidadão) dedica tua vida a nobre empresa em que trabalha, chega antes do horário e vai embora após o expediente. Sua produção é excelente, claro que existem queixas sobre ele, mas como ninguém é perfeito o Zé está entre os mortais.
Quem conhece o Zé de perto sabe do que ele é capaz, mesmo com seu jeito desbocado e relaxado, ele é brilhante, sem prepotências ou puxa saquice. Não a nada de que ele não de conta, o famoso ‘pau pra toda obra’.
A diretoria é cruel e burra, não sabe separar amizade de trabalho. Os imbecis (grandes amigos da diretoria) são eleitos capitães por unanimidade única. Roubar pirulito de uma criança é fácil, como diz o ditado, agora, o capitão é enganado pela criança. O capitão comete erros primários, a critica os considera um grande ponto de interrogação, pois, já que seria impossível cometer estes erros, a explicação é ser inexplicável. Mas não é o caso, a explicação é burrice mesmo.
O ‘pateta’ acredita ser o dono da bola, o mestre, isso é para fracos e inseguros.
O Zé permanece com sua dedicação e eficiência e o que recebe são estranhamento e cobranças didáticas. Algo inexplicável.
Para entender o que estou falando pense na política e seu eterno cenário corrupto. Aliados somam pontos e pontos somam dinheiro.
O que você entende de tudo o que eu falei? Eu entendo da seguinte forma seja político e bem cusão e assim será bem sucedido. Ah, e não se esqueça de ser extremamente antiético e achar que isso é malandragem. Obrigado, muito boa noite.

Monday, April 07, 2008

Não é por não dizer...


Bom dia. Esse é o dia. Mas que dia?
O dia comum. Um inferno a olhos nus.
É ele quem dilacera os sonhos?
Hum...
Antes do início, vem o fim.
Com chances esgotadas, tentar de novo é besteira.
Os sucos em pó já nos dizem o resultado.
O sonho começa com fim.
A maioria vetou a nossa voz?
Hum...
Tenha uma boa estratégia. Una os seus aliados.
Junte os interesseiros e sem partidos.
Assim, terá o veto final.
Como contradizer a maioria?
Hum...
Não é por não dizer que os sonhos foram vendidos,
que eu não saiba a verdade.
Qual é a verdade?
Cá entre nós, ela é a mentira.
A mentira contada por bons corações,
que seguem os costumes.
Hum...
Não é por não dizer que eles são queridos pela maioria,
que eu não saiba de....

Wednesday, December 19, 2007

Metodista emplaca mais um Bilhão


Como você se sente quando é xingado por alguém de passagem e que você com certeza não vai retribuir o elogio? Pois é complicado, mas assim é que me sinto quando fico sem voz pra reclamar, meter o pé mesmo. Se quiser fazer parte do cotidiano de uma Universidade Filantrópica que mais lucra com a educação, preste vestibular metodista e nem estude muito.

Siga 2.0, é o nome do problema. Um sistema de notas burro ou esperto demais. Por ele deveríamos nos relacionar com professores e nos informarmos sobre nossa situação acadêmica. Mas talvez por inteligência, não a burrice, falte eficiência nesse programa. Pois em atendimento interno desta ‘Multinacional’ fui informado de que não existem planos para alteração deste sistema, mesmo ele sendo o campeão em reclamações.

Golaço. Essa é a maior bola dentro de uma empresa que quer lucrar o mundo dos empreendedores deveria se espelhar na Metodista. Quebrar a comunicação com o cliente e fazer com que ele necessite da sua atenção e seja dependente de você. É isso com certeza é a tática mais eficiente em lucra, lucrar e lucrar.

Aos panacas e imbecis que formam a comissão deste crime apenas lamento pela situação. E infelizmente não vou prejudicá-los sou peixe pequeno e dependo de vocês, mas cuidado vocês podem estar criando os seus predadores. Inferno acadêmico, e depois tragédias acontecem sem razão. Algo que deixa puto o cidadão sempre tem efeitos.

Wednesday, July 04, 2007

espere a primavera, luciano

assim, embaçado, difícil, sem previsões além do que a vista alcança. ele não assusta nem acalma, é como se não existisse, mas, sempre à espreita, cobra seu preço. e nos dá a impressão de que a vida é isso que vejo, a decadência, as seis horas, batendo cartão, longas viagens no ônibus, curtas no trem, sono fora de hora e cochilos no começo da noite. madrugadas acordado e aquele banho frio de manhã. você coloca a blusa e vem o sol, quando tira, o vento te gela. a grana cai no banco e vai embora sem passar por tuas mãos. contas e mais contas que nem deixam o suficiente praquela breja, praquele fim de semana com os amigos ou com aquela garota que conheceste outro dia. vivendo de migalhas e minutos, deixando tudo que resta para pagar a fatura de teus dias, sem fiado, sem desconto para pagamentos à vista. parcelamento dolorido. saudade das paixões que rejeitei, das ligações que não retornei, dos olhares que ignorei. vontade de rever cada alma perdida, de sofrer de novo cada amorzinho juvenil, de chorar de novo cada decepção e sentir mais uma vez o primeiro beijo, o sexo inocente. nostalgia. e a vontade de sair pra qualquer lugar e tentar curtir um presente que, tão insosso, machuca. aperta o peito. pegar os trocados que sobram, o cartão, o talão de cheques. sair e voltar sabe-se-lá quando. ir para o puteiro mais barato e para o mais caro. beber a cerveja, o uísque. namorar, prometer casamento, fugir. fumar um charuto cubano, um cigarro de menta e aquele marlboro amargo. dirigir na madrugada por todas as pistas e conhecer as cidades, sem ligar para a gasolina.
mas amanhã é quinta-feira.
mas às dez horas bate o cartão e começa.
mas a coragem é pouca.
tudo bem, digo, tudo bem, digo para mim mesmo. não soa convincente nessas horas. mas serve. afinal, amanhã é quinta, depois é sexta e sábado, domingo, segunda é feriado e eu tento pensar que as coisas que valem a pena estão aí no meio. que graça teria se não estivessem?

Tuesday, June 26, 2007

Informe Publicitario

Além de viajar neste maravilhoso Blog você também pode visitar o Blog 'Butequiando', que segue a mesma linha do Horizntes-Perdidos. Os assuntos tratados são indescritíveis e muito emocionantes. Se quiser ler coisas banais sobre a patética vida moderna acesse;
http://butequiando.blogspot.com/ o blog mais inusitado da rede.

Sunday, May 27, 2007


O comportamento subversivo choca o país. as donas de casa e os pais com carros novos na garagem. porque os garotos querem beber e fumar e trepar a cada momento. porque eles caem na rua e envergonham famílias. evitam namoros. desligam os celulares e não ficam mais de cinco minutos no telefone.

a mídia saiu em busca de desmistificar os malditos. a juventude os adotou como heróis. uma geração inteira que vai morrer de cirrose aos 30 anos. se não forem pegos antes pelo câncer ou pela dor na consciência, que já mostra sinais em muitos. suas roupas sem etiquetas têm vencido a guerra contra as vitrines milionárias que aparecem nos comerciais de televisão. os bares enchem mais do que os cinemas.

os estudiosos, porém, psicólogos, sociólogos e outros doutores de cabelos brancos e barba espessa dão suas opiniões ponderadas e lidas em antigos manuais que hoje têm páginas corroídas e cheias de traças. há alguns anos não vêem uma nova boceta ou tomam uma cerveja barata. preferem charutos e uísque envelhecido, bem como suas esposas castas. " esses idiotas fingem a inconsequência e o prazer na vida. mas trabalham e estudam a semana inteira, como desgraçados, como robozinhos de nosso sistema". para o doutor-mestre henrique manoel fernando, os "perdidos" tentam mostrar uma face falsa para o mundo. "eles sentem o desprendimento no beijo molhado e dividido, mas sentem frio debaixo de cobertas quentes e tem dores de cabeça no verão. eles escrevem cartas que não mandam pra ninguém. eles esperam ligações que nunca chegam".

seriam afinal todos impostores? qual seria a verdade, qual o grau de inconsequência e loucura real? os malditos ainda não dão mostras de desgaste. prosseguem esvaziando garrafas e as deixam na mesa. bitucas de cigarro no cinzeiro. e o celular nunca fica na caixa postal. embora eles odeiem celulares. estaria certo o doutor-mestre henrique manoel fernando?

Monday, May 14, 2007



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>>perigo

Má educação está destruindo a sociedade

Sujeira, vocabulários chulos, roupas sem etiquetas, mal cheiro e muita bebida são às características dos criminosos

Homens sujos e mal vestidos são os principais suspeitos do crime que chocou o país. Esses criminosos estão atuando em bandos e são considerados uma epidemia. Os bons modos e a velha falsidade estão sendo brutalmente assassinados. As autoridades criaram estratégias duras para sanar o problema. O palácio dos três poderes é a usado como cede do esquadrão pró-sociedade comportada.
A política nacional é chamada para combater marginais, que estão destruindo e alienando os grandes Mauricinhos do Brasil. A principal tática usada para acabar com eles é o discurso contrario. Que traz o dinheiro como argumento fundamental da sociedade. Significado de poder está refletido nas melhores grifes. Roupas bonitas são às roupas caras. A inteligência nada mais é que dinheiro no bolso, então, sejamos poderosos e compremos a inteligência.
Já os mal educados, marginais, praticam atos extremamente ofensivos a nossa cultura. Eles habitam bares, botecos e até mesmo casas de show, e por lá disseminam seus idéias. Promovem o uso de bebidas alcoólicas demasiadamente e estão despreocupados com os nós das gravatas e às meias pretas são irrelevantes para eles; “Eles estão por toda parte. Já vi muitos tomando cerveja rindo e muito mal arrumados, cheguei à ouvir até palavrões” declarou X que não quis se identificar por medo da epidemia da má educação. Estas pessoas fazem uso da risada, amizades, conversas sem nexo, diversão, amor, para chegarem ao ponto de serem felizes. Isso é a destruição dos verdadeiros dogmas que são os CERTOS.
Milhares de leis que vetam as atividades destes Marginais já foram implantadas, mas o resultado foi nulo. As políticas públicas estão tentando de todos os modos buscar armas que protejam a integridade do verdadeiro Brasileiro. Os puritanos que estão emergindo para ficar no rabo do USA não podem deixar este vexame queimar o filme do Brasil.
O mal educado denominado de Cretino do Inferno garantiu que a má educação deve continuar por toda à cidade; “Vocês idiotas que se cuidem pois estaremos presente nos nossos botecos e bares, e as câmaras políticas nunca estarão livres dos nossos ideais. Sempre os incomodaremos pelos cantos ou diretamente aos seus pés” informou aos políticos.
O Presidente do Brasil informou através de sua assessoria de imprensa que às medidas tomadas serão triplicadas e que breve os rebeldes mal educados estarão banidos da sociedade, e que só veremos ternos armany pelas ruas.

Thursday, April 12, 2007

novamente eles

ainda não consegui entender como pude escrever tantas vezes neste e em outros blos sobre amores e ideiais. até o dia de hoje, só pude desamores e idéias sem futuro. dezenove anos. não que eu sinta a falta de qualquer coisa exceto poder sentar na cadeira humilde, copo de cerveja na mão, roda de amigos, olhar fixo nos horizontes perdidos. ninguém pode querer muito mais que isso nesta vida. subir escadas não é mais para mim. com ou sem bengalas, sempre me apoiei no corrimão. olha a luz lá em cima. eu espero que construam escadas rolantes em toda extensão do universo. passou a fase em que as noites de verão eram frias e que o inverno não adiantava edredons e estourava termômetros. o barco hoje vai sozinho, à deriva. nos contentamos em viver a boa vida, brindar repetidamente e esperar que o leme sem comando nos desvie de obstáculos. ah, a luz, um dia eu alcanço. se achar preciso. o que tem de tão ruim nas sombras? nesse escurinho doce, fresco? pega um copo e senta. olha que bonito. eu amo isso. só quero sentar e olhar as ondas se arrebentando em si mesmas e esperar que o mundo acabe em guerras ou tornados ou aquecimento global. porque meu mundo parou na distância dos horizontes.

Thursday, March 29, 2007

os tão falados horizontes perdidos

aperta um pouco quando a gente fecha o último botão. e também nunca fica totalmente arrumada. ela sempre parece um pouco torta, fora de lugar. mas é o uniforme que remunera o suor e o desconforto. você entende a libertade por detrás dessa prisão, eu tenho certeza disso. cada segundo de vôo é pago com outro segundo em que nos arrastamos. a dualidade está sempre presente neste céu-inferno em que vivemos nossas vidas. nesses horizontes perdidos que contemplamos em tardes de cerveja na mesa e olhar vago. conversas descompromissadas e tão fúteis quanto as de telenovelas que adoramos esculachar.

eu te convidei para mais uma rodada naquele chope evocê negou como costumava fazer com todos meus convites e tentativas de aproximação. mas a negativa era um não que não era não e eu sempre soube que não era não, não. eu com minha cerveja e você com o suco de frutas sem calorias ou açúcares, dieta saudável balanceada nutrição em dia e sem gordura trans. como aquelas músicas sem sentido nem melodia que você escutava. eu não conseguia entender a distância entre nossos universos, anos-luz que pareciam aumentar e diminuir em um ritmo constante, batimento ritmado que embalava minha fascinação.

no fim eu não quis nada de mais, você quis e não quis, e tudo não passou de uma explosão rápida e quente de uma estrela que passou fugaz pelo cosmo. cumpriu magnificamente seu papel e escapou para novas aventuras. as minhas nunca foram tão espetaculares ou fáceis, mas eu preferia não ter algo a me lembrar da falta de liberdade e da gravata que eu já carregava no pescoço por seis horas diárias. eu não queria relembrar cada minuto contado no ponto, calculado e ajustado de acordo com acordos sindicais para meu pagamento mensal.

soltei o nó e coloquei os óculos escuros, pronto para mais um chope naquela tarde estranhamente quente do início do outono de 2007.

Friday, March 23, 2007

ronda noturna


achei que era assim, sabe, naquela cidade grande dos prédios de concreto que às vezes assustam. pensei que ia passar impune. uma brincadeira sem qualquer consequência, sabe, daqueles que a gente dá risada e brinca com os amigos e depois é como se nunca houvesse existido. amo o etéreo, amo o nada, o sumiço, quero sempre estar assim desaparecendo com a facilidade prometida pelos grandes manuais e produtos da TV. mas o telefone tocou no dia seguinte e no outro e eu, tão mal-amado, me vi preso no labirinto do amar-não-amar, da maldição, do filha da puta que nunca fui e acabei por renegar a mim mesmo. sou maldito, sou cão de rua e gritei com orgulho e desliguei o telefone rápido. sem mais chamadas a cobrar. você entende? é a mudança. o medo da realidade quando vem tão próxima, quando a gente não tem como fugir nem como ser ninguém mais durante nem que seja um fim de semana. adeus prestação de contas. talvez eu não seja o que é o amor. talvez eu só delire com impossíveis. qual a graça da garota ao lado? esquece. sigo minha vigia. sempre atento, sempre perdido.